
A pessoa mais velha com idade verificada viveu 122 anos e 164 dias. Um indonésio afirmou ter chegado aos 147 anos, mas não havia provas independentes. Os cientistas estimam que o limite da vida humana esteja entre 120 e 125 anos. Por trás dos recordes de longevidade há também histórias de vinho tinto, tabaco e um negócio imobiliário pouco feliz.
(Redação: França e Indonésia / Ciência e longevidade)
A questão de até que idade uma pessoa pode viver há muito que suscita debates científicos. Não se trata de um «ultimato» literal, mas de limites biológicos que poderão ser difíceis de ultrapassar.
Jeanne Calment: o recorde absoluto
A pessoa mais velha com idade verificada foi Jeanne Calment, uma francesa nascida em 1875 e falecida em 1997 aos 122 anos e 164 dias. Viveu em Arles, onde Vincent van Gogh pintou algumas das suas obras mais conhecidas. Em criança, conheceu o pintor porque o pai tinha uma loja de tintas e pincéis que Van Gogh visitava frequentemente.
Um pormenor curioso: Calment terá bebido um copo de vinho tinto todas as noites e só deixou de fumar aos 117 anos. Estes hábitos parecem contrariar os conselhos habituais para uma vida longa, mas o seu caso foi excecional.
O negócio imobiliário que se tornou uma lenda
Por volta dos 80 anos, Calment vendeu a casa com a condição de poder continuar a viver nela até morrer. Em troca, o comprador pagava-lhe uma quantia mensal. Se tivesse morrido aos 85 anos, teria sido um bom negócio para ele. Na realidade, pagou durante mais de 40 anos antes de tomar posse do apartamento.
Mbah Gotho: 147 anos, mas sem provas sólidas
O indonésio Mbah Gotho teria morrido em 2017 aos 147 anos. No entanto, os seus documentos de registo civil foram emitidos muito depois do nascimento alegado, e as autoridades não conseguiram confirmar a idade de forma independente. Dizia-se que se lembrava da construção de uma fábrica de açúcar na sua aldeia em 1880 e que fumou muito até ao fim da vida.
A controvérsia Calment: uma teoria rejeitada
O matemático russo Nikolai Zak e o gerontologista Valeri Novosselov defenderam que a filha de Calment teria assumido a identidade da mãe para evitar impostos. Nenhum dos dois se deslocou a França para investigar. Investigadores que analisaram os documentos originais rejeitaram depois a teoria, considerada infundada pela comunidade científica.
Qual é o limite teórico?
Muitos cientistas estimam que a vida humana máxima se situe entre 120 e 125 anos, embora não exista consenso absoluto. A genética, o estilo de vida, o ambiente e o acesso a cuidados médicos influenciam a longevidade, mas nenhum destes fatores garante que o limite biológico seja ultrapassado.
Conclusão
Há séculos que circulam histórias de pessoas que teriam vivido 150 ou até 250 anos, mas faltam provas sólidas. Jeanne Calment continua a ser a referência, com 122 anos. A possibilidade de ultrapassar esse limite permanece uma questão em aberto para a gerontologia e a biogerontologia.






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