
A partir de 1 de janeiro de 2027, a Bélgica deverá implementar uma importante reforma da tributação rodoviária, com uma vinheta diária de cerca de 9 euros para o acesso às autoestradas. No entanto, quem atravessar o famoso túnel de Liefkenshoek, em Antuérpia, continuará a pagar a portagem local. Esta rota poderá tornar-se uma das mais caras da Europa.
(Redação: Bélgica / Economia e Mobilidade)
O sonho europeu da livre circulação está a esbarrar, pouco a pouco, na realidade fiscal dos Estados que procuram desesperadamente novas receitas para os seus orçamentos. Após anos de debate, a Bélgica decidiu dar um passo que muitos automobilistas consideravam impensável: introduzir uma vinheta rodoviária. Mas, como tantas vezes acontece em países com administrações complexas, o diabo está nos detalhes. E, desta vez, o detalhe é um túnel.
A vinheta de 9 euros por dia: o novo sistema de cobrança rodoviária
Segundo o anúncio oficial, a partir de 1 de janeiro de 2027 — embora a data exata e os detalhes finais ainda possam sofrer alterações — os condutores que queiram utilizar a rede rodoviária belga terão de pagar. O sistema proposto já não será um simples autocolante anual no para-brisas, mas um sistema digital baseado no princípio «pagar conforme a utilização».
O custo estimado para um automóvel é de cerca de 9 euros por dia. Os trabalhadores que fazem deslocações diárias e as pessoas que viajam frequentemente poderão optar por assinaturas mensais ou anuais, que reduzirão consideravelmente o custo diário. O Governo afirma que pretende transferir a carga fiscal dos proprietários de automóveis, através da taxa de matrícula, para os utilizadores efetivos das estradas, incentivando simultaneamente os transportes públicos.
A armadilha de Antuérpia: o túnel de Liefkenshoek
Até aqui, tudo parece uma estratégia europeia habitual. O grande problema surge quando se inclui na equação uma infraestrutura que já tem a sua própria portagem. O exemplo mais evidente é o túnel de Liefkenshoek, situado no porto de Antuérpia.
Este túnel, parte da circular R2, foi construído com financiamento privado e funciona com base numa parceria público-privada. A sua utilização é, por isso, cobrada separadamente há muitos anos. As tarifas variam consoante o tipo de veículo, mas um automóvel paga cerca de 6 euros por passagem.
As autoridades confirmaram que a nova vinheta nacional não irá abolir a portagem local do túnel. Quem utilizar o túnel de Liefkenshoek pagará, portanto, «uma taxa sobre outra taxa»: 9 euros pelo direito de utilizar a rede rodoviária, mais a portagem do túnel.
O impacto nos condutores e nas empresas de transporte
Esta sobreposição de encargos tem um impacto direto nos orçamentos familiares e empresariais. Para um turista romeno que atravesse a Bélgica a caminho da Grã-Bretanha ou de França, esta rota torna-se bastante menos atrativa. No setor da logística, que depende dos camiões que atravessam diariamente o porto de Antuérpia, os custos poderão aumentar significativamente.
Embora o Governo belga prometa um sistema «inteligente» e descontos para quem utiliza as estradas diariamente, a realidade para o automobilista comum continua preocupante. A partir de 2027, conduzir na Bélgica poderá exigir um planeamento financeiro muito mais rigoroso.
Conclusão
A Bélgica está a fazer uma aposta corajosa, mas arriscada. A vinheta de 9 euros por dia pretende apoiar as finanças públicas, mas, combinada com as portagens já existentes em infraestruturas essenciais, como os túneis portuários, poderá criar uma sensação de injustiça fiscal. A Europa Ocidental deixou há muito de ser um paraíso de estradas gratuitas. Em breve, na Bélgica, cada quilómetro percorrido poderá ser calculado ao pormenor, com ou sem túnel. Resta saber se os protestos dos automobilistas conseguirão alterar os termos desta equação financeira ou se todos teremos simplesmente de pagar a conta.






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